domingo, 9 de março de 2014

Após cesárea o parto normal é mais bem-sucedido na maioria dos casos

Oi mamãe e papai!

Passar por um parto normal após ter feito uma cesárea é possível e, mais do que isso, as chances de sucesso são altamente favoráveis. É o que revela um estudo feito por duas universidades britânicas e publicado recentemente no BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology.

A pesquisa reuniu quase 144 mil mulheres que tiveram a primeira cesariana entre 2004 e 2011. Pouco mais da metade (52%) tentou parto vaginal para o segundo filho e, dessas, 63% foram bem-sucedidas.

O estudo também apontou que mulheres com 24 anos ou menos tiveram taxa de sucesso maior no parto normal (69%) do que mulheres com 34 anos ou mais (59%).



De acordo com Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês (SP), a princípio não há contraindicação para o parto normal quando a mulher passou por apenas uma cesariana. A restrição existe quando se trata de duas ou mais cirurgias desse tipo.

Ele explica que a região da cicatriz deixada no útero não tem a mesma resistência do tecido íntegro, tornando-se um ponto de fragilidade. “A partir de duas cesáreas, ou seja, dois cortes no útero, o risco de acontecer uma ruptura da cicatriz durante o parto aumenta significativamente, o que pode levar a situações extremamente graves para a mãe e para o bebê”, diz o obstetra.

Também por conta disso, a opção pelo parto vaginal para o segundo filho será determinante para aumentar as chances de um terceiro ou quarto partos normais. “Quando a mulher opta pela segunda cesárea, ela está definindo seu futuro reprodutivo: daí para a frente, serão só cesáreas”, avisa Nogueira.
Cuidado extra


Embora o parto vaginal após a cesárea seja possível na maioria das vezes, algumas precauções devem ser tomadas. Recomenda-se aguardar pelo menos dois anos entre a cesárea e o parto normal, para garantir que a cicatriz tenha resistência suficiente para que tudo corra em segurança. O motivo que levou à primeira cesariana também deve ser considerado e foi apontado no estudo britânico como fator determinante para o sucesso do parto normal.

Segundo Nogueira, é preciso estudar cuidadosamente o histórico do parto anterior e avaliar em que condições a cesárea foi realizada. Ele explica que cirurgias feitas em situação de emergência ou com quadro de hemorragia impedem que se faça um fechamento tranquilo da parede do útero, o que pode comprometer a qualidade da sutura e agravar as chances de rompimento da cicatriz.

Já durante o trabalho de parto, é importante acompanhar a eficácia das contrações. O obstetra explica que a cicatriz da cesárea altera a forma como as contrações uterinas acontecem e pode torná-las ineficazes para empurrar o bebê para fora. Em alguns casos, pode ser necessário ministrar uma dose de ocitocina, substância que ajuda a melhorar a qualidade das contrações.

O médico alerta, porém, que o parto normal em mulheres que já passaram por cesárea nunca pode ser induzido. Ou seja, a ocitocina pode ser usada quando a mulher já está em trabalho de parto, mas nunca com a função de iniciá-lo.

A evolução do trabalho de parto também precisa ser acompanhada com rigor extra. Alexandre Nogueira explica que, quando o bebê é muito grande em relação à bacia da mãe, as contrações uterinas se tornam mais críticas e podem forçar a abertura da cicatriz. “Por isso, temos que zelar muito mais pela relação entre o bebê e a bacia -- quanto maior o bebê, maior o chance de ele forçar a cicatriz”, diz o obstetra. A depender do diagnóstico, pode ser necessário recorrer a uma nova cesárea.

Após o parto, o médico recomenda verificar a integridade da parede uterina por meio do exame de toque, para checar se realmente não houve ruptura.

Qualquer que seja o seu caso, o mais importante é fazer uma avaliação junto ao seu médico e levando em consideração o seu histórico, para tomar sempre a melhor decisão para você e para seu bebê.

Matéria: Revista Crescer

Beijinhos!


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